No âmbito das comemorações dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões, a UPP - Universidade Popular do Porto promove no dia 14 de Abril, terça-feira, às 18H00, uma Conferência do Professor Arnaldo Saraiva sobre "CAMÕES DE CORDEL - Camoes visto e contado pelo povo".
Com participação livre na sede da UPP, na Rua da Boavista, 736 - Porto, a conferência poderá também ser acompanhada por videoconferência, cujos dados de acesso serão enviados para quem se inscrever com envio de email para secretaria@upp.pt ou preenchendo o formulário AQUI
Camões de cordel
Pelas puras verdades ou fábulas inventadas da sua vida, ou pelo engenho e arte da sua obra, Camões ou o nome de Camões irradia energias inesgotáveis de mito universal, ele que foi também um criador de mitos (o Velho do Restelo, o Adamastor, Pedro e Inês, a ilha dos Amores...).
Por sinal, foi do Brasil, ou do seu Nordeste, que ao longo das últimas décadas vieram as melhores provas da permanência popular de Camões. Este nome figura em títulos e é nome de heróis ou anti-heróis de folhetos de cordel. Sabendo pelos gregos como os mitos conhecem com o tempo variações simbólicas, não estranharemos que por vezes o Camões nordestino só no nome - no apelido, sintomaticamente - lembre bem o poeta português. Mas o hilariante pícaro, malandro ou “amarelinho” talvez tenha nascido da memória que não esqueceu um homem superior, na aventura, no amor e na arte. O Camões de cordel vale-se da esperteza, até verbal, para sobreviver e se rir dos males e dos poderes que o ameaçam. E o nome de Camões na boca de poetas populares do Brasil valerá sempre como uma homenagem, como a de Patativa do Assaré: “Vejo a minha pequenez / Ante o bardo português”
Arnaldo Saraiva
Professor catedrático, jubilado, da Universidade do Porto. Lecionou igualmente na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara (EUA), e na Universidade de Paris III (Sorbonne Nouvelle). Poeta, ensaísta, tradutor e cronista, Arnaldo Saraiva é, igualmente, investigador especializado nas áreas da literatura oral e marginal, da literatura brasileira e dos modernismos. Da sua múltipla e diversificada obra, podemos salientar os livros de poemas ae e in, de crónicas como O Sotaque do Porto e Bacoco é Bacoco seus Bacocos, e de ensaios como Bilinguismo e Literatura, Literatura marginalizada, Fernando Pessoa Poeta-Tradutor de Poetas, Folhetos de Cordel e Outros da minha Colecção, O Modernismo Brasileiro e o Modernismo Português e O Porto de Eugénio de Andrade.
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